Amamentação na real

Oi, sou Juliana, uma mãe que amamenta em livre demanda meu filho de quase 3 anos, e gostaria de dizer algumas coisas sobre isso mas vamos às origens das duas experiências que tive com a amamentação.

Aos 16 anos, eu tive muita dificuldade e falta de informação para amamentar minha primeira filha, jurava que não tinha leite, peito rachado e sangrando, bico invertido, dor e muita dor! Aos 2 meses dela, eu já não amamentava mais. Nunca vou me esquecer da primeira mamadeira que ofereci à ela em meio ao desespero, ela chorava, chorava e chorava muito! Aos 15 e poucos dias de vida dela e eem saber mais o que fazer, depois de 3 horas de angustia, ofereci a primeira mamadeira de leite artificial, daí em diante foi só ladeira abaixo. Ela passou a gostar cada vez mais da mamadeira e passou a ter preguiça de mamar, afinal, eu não tinha bico, era mais fácil a mamadeira e eu não insistia muito, pois me causava muita dor. Me senti culpada ao extremo por isso, chorei, dizia que não era uma boa mãe, onde já se viu não poder amamentar minha filha, achava que eu era anormal por não produzir leite e por aí vai, com o tempo e o apoio do pediatra, aceitei essa condição e não tive nenhum problema depois. Mas prometi a mim mesma que se um dia tivesse outro filho, faria o possível e o impossível para amamentar, esse se tornou meu “sonho materno”.

Fiquei grávida e tive o segundo filho, o Arthur, claro que a primeira experiência dele na “teta” não foi boa, assim como foi a da Pietra, a dele veio bem pior, dizem que menino mama mais, e eu sinceramente acho verdade isso, ele me suga até hoje (hahaha),doeu, rachou, sangrou, empedrou, deu febre, bico invertido e toda dor que você possa imaginar, parecia um show de horror! Na primeira semana de vida dele o pediatra sugeriu o complemento, pois ele tinha perdido peso ao invés de ganhar, e eu como qualquer mãe comum com o propósito de amamentar me senti o que? CULPADA por não poder amamentar de novo! Chorei e chorei! Dizia que eu não tinha nascido pra ser mãe, que eu era uma péssima mãe e tudo de novo!

Não conformada com a situação e totalmente indignada pelas palavras do médico, busquei ajuda com meu obstetra, expliquei tudo e sabia que ele e as enfermeiras do hospital poderiam me ajudar nessa etapa inicial. Tomei remédios que induziram a produção e que ajudavam na dilatação das veias, aprendi a fazer massagem nos seios, usei bombinha para estimular a “saída” do bico, ensinei ao Tutu a “pega” correta e assim fomos, venci as dores, chorava em silêncio, era algo que eu queria tanto e que eu sabia que teria que fazer um esforço para realizar este sonho. Cada vez que ele sugava meu peito, uma lágrima pesada caía de meus olhos e escorria pelo rosto gorducho dele, mas toda vez que ele terminava e dormia em meu peito, com o leite escorrendo pelo canto da boca, me sentia totalmente realizada e ali eu sabia que tudo estava valendo a pena.

Depois de dois meses, mais ou menos, virei uma “vaca leiteira” e tem sido assim até hoje! Vou omitir o fato dele mamar um seio só, o que faz de mim uma criatura estranha a olho e corpo nu, mas isso é outra história hahaha!

Tivemos um grande problema por volta dos 5 meses dele, que foi quando descobrimos que ele tinha APLV (Alergia à proteína do Leite de Vaca), foi nessa época que eu tive que fazer uma dieta mega restritiva de leite e derivados do leite, pois os traços do que eu consumia, passavam para o leite e aí iam pra ele. Foi muito difícil aprender a comer sem nada de leite, na verdade foi um esforço enorme, pois sou viciada em queijos e mais dificil ainda aprender a ler cada rotulo e levar marmitas para mim e para ele aonde quer que fôssemos. Nessa época emagreci todos os quilos que não tinham ido embora somente com a amamentação, aprendemos a comer de uma forma mais saudável também, foi um problema que nos trouxe um grande aprendizado. Talvez esse tenha sido o fator determinante para que eu ficasse em casa e não voltasse ao meu trabalho, pois assim ele tomaria meu leite sempre, não teria nada de artificial ou que pudesse prejudicar a alergia dele. Hoje em dia ele está curado da APLV e já consome derivados e leite também.

Sempre amamentei (e amamento ainda) meu filho com prazer, exceto quando ele fixa os dentes enquanto dorme em meu peito, o que me deixa um buraco profundo de dor e lamentação a cada mamada, isso aconteceu duas vezes, uma foi quando os dentes começam a nascer e outra foi bem recente, por descuido meu, que não tirei o peito enquanto ele dormia, queria ser uma boa mãe e dizer que por mim tudo bem, mas não posso mentir, dói e dói muito!

Mas confesso que fico também com ciúmes dessas mães que não puderam/quiseram amamentar, lembro da minha primeira filha, e sei o quanto é bom também estar com o peito guardado o dia inteiro, o quanto é legal usar uma blusa que não está acessível às pequenas mãos do meu filho, quanto é maravilhoso dormir de bruços a noite inteira sem ter que ficar virando pra cá ou pra lá pra dar teta, o quanto é divino usar sutiã de mulheres normais, sem estragar o bojo, ao dobra-lo na hora do mamá, o quanto é legal você poder deixar seu filho com outra pessoa, ou até mesmo com o pai e poder sair, nem que seja para ir ao salão, retocar as luzes, sem se preocupar com as mamadas e o quanto faz bem pra auto estima você se olhar no espelho e ter os bonitões lá, firmes e fortes, ao contrário do que estão hoje em dia.

Nunca tive pudores de amamentar em público, sou do raciocínio de que é um ato de amor, um ato simples e antigo de vida mesmo, seria feio se fosse de uma forma promiscua, o que não é o caso. Já enfrentei caras de espanto e caras feias, mas isso não significa nada, não vou deixar meu filho com fome porque tem gente olhando feio.

Já amamentei em ônibus, metrô, delegacia, fórum, fila de banco, fila de ônibus, reunião escolar, eventos, festas, churrascos, piscina e onde mais vocês possam imaginar. Arthur está grande e já faz um tempo, que ele me puxa de lado quando quer mamar, me escala e literalmente “saca” a teta, com ele não tem tempo ruim. Já tentei usar o tal paninho, mas ele não curte, a única coisa que gosta mesmo é do cobertor que ele chama de “pontinha”, o qual ele segura enquanto dorme, caso contrário, sem panos e eu tentando fazer mil manobras pra guardar o peito logo que ele solta. Com todo esse”show”, já deixei o peito a mostra sim, já enfrentei olhares de descazo, desprezo e até mesmo de nojo. Não é fácil ver esse tipo de reação, mas é pior ainda entrar em debates desnecessários, não deixo de amamentar, dou o peito e olho feio também. Já teve casos na internet em que eu apaguei o post sobre ele mamando, a pressão e o peso das palavras que as pessoas escreveram foram demais, doeram e ofenderam muito, apaguei mesmo!

A rotina de mamada dele é em livre demanda, não consegui no inicio implantar o sistema de horários, sempre achei isso muito forte para um bebê e assim vamos levando até hoje, as vezes ele mama MUITO, tipo, umas 60x (isso mesmo, Sessentavezes :O) ao dia, todas breves, e as vezes ele mama menos, uma média de 6x. Juro que não sei qual é o critério dele, as vezes eu rio e as vezes eu choro e assim vamos levando, tem noites que dormimos bem e tem noite que dormimos mal, faz parte, tem que ter paciência. Amamentar em livre demana é abrir mão de muitas coisas em prol deles.

Não sei como vou desmamar, eu já tentei muitas coisas, mas na real, acho que eu que ainda não estou realmente preparada, estou esperando alguma coisa que nem eu sei, talvez eu esteja só aproveitando meu filho até a nossa última gota <3.

Amamentar é divino, é sublime é totalmente surreal, a troca de olhares e de sentimentos que temos não se compara à nada nessa vida, é um pequeno pedaço do céu te olhando e te acariciando! O toque dele e até mesmo o arrotinho de satisfação, trás uma realização pessoal imensurável, pois é ali que sabemos que cada grama que eles ganham, saíram de nós, é como se isso fosse nosso super poder, só nosso.

Amamentar não é uma tarefa simples, parece simples, mas quando não temos as informações e ajuda de pessoas que sabem o que estão fazendo, o sonho pode virar pesadelo, por isso, não acreditem logo de cara, que você não vai ter leite, que seu leite é fraco ou até mesmo que seu filho não vai saber mamar, procure informação, se oriente com mais de um médico se for preciso, mas não deixe de tentar, e se mesmo assim, você não puder amamentar, seja lá qual for o motivo, não se culpe por isso, Deus sabe o que é melhor para cada um de nós, e isso não vai fazer de você ou do seu filho, criaturas de outro mundo. Não se culpem, não se comparem e nem se julguem, ninguém é igual a ninguém e nem “menos main”.

Ama(mentação) <3

Amamentação

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Amamentação

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Bjos e até mais,

Jú Campos

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